NÚCLEO DE MÍDIA ELETRÔNICA - RÁDIO
Jesus, Palavra de Deus, Comunicador do Pai se fez homem e veio morar no meio de nós, optou por um processo inculturado e dialógico da comunicação, Ele representa a chave (modelo básico) da comunicação no novo milênio.
O próprio Papa João Paulo II já nos falava em 1999 que o mundo das comunicações é o primeiro areópago dos tempos modernos, e nós como cristãos temos que usar de todos os meios possíveis para levar Jesus Ressuscitado àqueles que ainda não o conhecem.
A Igreja tem se proposto a rever seus modelos e práticas de comunicação na tarefa de evangelizar, por isso tem crescido muito o número de trabalhos católicos nos meios de comunicação (através de programas em rádios e TVs, jornais, páginas de internet,etc).
Mas não é suficiente, usar os meios de comunicação para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, é necessário integrar a mensagem nesta nova cultura criada pelas modernas comunicações, tornando a Boa Nova de Jesus conhecida por todos os povos.
Para isso é preciso conhecermos um pouco do que é e como se trabalha com os meios de comunicação, e nosso caso vamos aprender um pouco sobre o Rádio
1. O RÁDIO COMO MEIO DE EVANGELIZAÇÃO:
Se existe um veículo onde a imaginação é um ingrediente fundamental, este é o Rádio. Isso acontece porque a mensagem recebida através do rádio tem como característica fixar-se em nível mental. As imagens se formam numa seqüência instantânea. A mensagem é aprendida na mesma velocidade com que é emitida.O Rádio é hoje o meio de comunicação de massa mais popular e o de maior alcance público.
Algumas características qualificam o Rádio como o meio de comunicação mais eficaz existente:
Facilidade: Em termos geográficos é o mais abrangente dos meios, podendo chegar aos pontos mais remotos e ser considerado de alcance Regional.
Simultaneidade e Rapidez: O Rádio também pode estar presente com mais facilidade no local dos acontecimentos e transmitir as informações mais rapidamente do que a televisão e no instante em que ocorrem.
Individualidade: O ouvinte de Rádio está livre de fios e tomadas e não precisa ficar em casa, ao lado do aparelho, podendo ouvi-lo no carro, no trabalho, na rua, ou onde quer que estejamos. Esta característica faz com que o emissor deva falar para toda a sua audiência como se estivesse falando para cada um em particular, dirigindo-se diretamente àquele ouvinte específico e dando uma individualidade exclusiva deste meio de comunicação.
Acessibilidade: Em comparação a televisão e aos veículos impressos, o aparelho receptor do Rádio é o mais barato, estando sua aquisição ao alcance de uma parcela muito maior da população.
Envolvimento: O Rádio envolve o ouvinte, fazendo-o participar da emissão por meio da criação de um diálogo mental com o emissor.
Simplicidade: Sua capacidade exclusiva de se comunicar com o público não exige uma informação específica para codificar a mensagem, pois tem uma linguagem simples. (Ex. Saber ler ou escrever)
2. LINGUAGEM RADIOFÔNICA
A linguagem radiofônica compreende não somente a linguagem oral, mas também a música, o ruído, o silêncio e os efeitos.
No que se refere à linguagem, o rádio apresenta um reflexo da vida cotidiana, ou seja, ela deve ser popular, simples e direta.
O locutor nunca deve procurar palavras difíceis para se expressar, deve falar sem formalidades, imaginando que está dentro da casa do ouvinte. Deve-se utilizar o vocabulário de uso comum, evitando gírias, palavras científicas e estrangeiras.
Por isso a fala deve ser sempre pessoal, direta, sem muitos pronomes e conjugações desnecessárias, aproximando o mais possível de uma conversa cara a cara, fazendo de conta que você o conhece, sabe quem ele é e do que precisa. Ex. Você que está me ouvindo agora, você que não teve um dia bom, está decepcionado, ligue pra nós!
A linguagem do Rádio exige uma fala imperativa (Beba Coca-Cola), isto é, que dê ordens ao ouvinte. O verbo sempre utilizado no presente do indicativo (jornalismo). O passado não é notícias no Rádio (presente representa instantaneidade). Ex. Agora você vai pegar o telefone, vai ligar no 262-1340 e fazer o seu pedido de oração, etc. É claro que para o ouvinte executar a ordem, é preciso que ele esteja convencido de que aquilo é bom pra ele, que ele precisa fazer aquilo. Por isso o locutor não deve falar fraco, desmotivado, mas com firmeza, demonstrando certeza e segurança para convencer o ouvinte.
DIZER POUCO, PORÉM COM O MÁXIMO DE FORÇA
Outro grande impasse que incomoda os locutores é quando acontece troca de nomes de pessoas, lugares, etc. Nestes casos, se o erro for algo comprometedor e puder causar algum problema a alguém, o erro deve ser corrigido na hora. Porém se não compromete ninguém deve-se passar por cima já que ninguém vai perceber.
Quando vamos ler algum texto, recados, oferecimentos, ou trecho bíblico no ar, é imprescindível que o locutor leia no mínimo três vezes antes de ir para o microfone (SE FOR TRECHO BÍBLICO RECOMENDA-SE FALAR A CITAÇÃO NO COMEÇO DO PROGRAMA E OUTRAS VEZES ANTES DE SER LIDA).
Essa leitura prévia é importante porque ajuda a dar uma emoção ao que você está lendo, de tal forma que o ouvinte pense que você decorou. Assim, a leitura prévia elimina a valorização de palavras e pontuações na hora errada, permitindo a interpretação do texto. No caso de existir palavras difíceis de serem pronunciadas é preciso treinar bem, se necessário desmembrar a palavra, dividindo-a em partes, para depois automatizá-la. Ex. O ORIGINAL NÃO SE DESORIGINALIZA.
O locutor deve programar a fala, TER COMEÇO, MEIO E FIM isso evita o improviso cheio de NÉ, NA VERDADE, MUITO BOA NOITE, etc.
A questão das horas traz muitas dúvidas, é oito ou vinte horas? Como a linguagem do rádio deve ser simples o indicado é que se fale oito horas e vinte minutos, e não MINUTINHOS. A formalidade é reservada para algum anúncio como por exemplo uma missa que será celebrada às vinte horas.
Números, procurar arredondar sempre que possível. As casas decimais deve sempre ser escritas por extenso
Por ser um veículo ágil e extremamente dinâmico, o rádio envolve um ritmo que lhe é totalmente peculiar, tem um ritmo próprio. No Rádio não há espaço em branco. Cada segundo tem a tarefa de envolver o ouvinte, estabelecendo com ele uma forte relação.
O locutor é o seu próprio crítico, ele sempre se observa e uma ótima sugestão é gravar o programa e ouvir em casa, uma oportunidade para notar os erros, fazer críticas construtivas, pontuar melhoras, etc. mas é importante lembrar acima de tudo que só se aprende, errando.
É COMUM TAMBÉM O LOCUTOR NÃO GOSTAR DA SUA VOZ. ISSO É UM BOM SINAL, PORQUE SE VOCÊ, LOCUTOR, GOSTAR, NINGUÉM VAI TE SUPORTAR!
Nenhuma pessoa nasce com uma voz de locutor. É preciso dedicação, treino, isto é, é preciso dar um brilho na voz, um capricho. Uma das maneiras é articular bem a voz treinando com uma caneta na bola. O locutor também deve estar atento aos exageros nos SS e do R (porta).
É importante lembrar sempre que o locutor não deve falar de frente para o microfone, mas sim de lado para que o sopro da voz não seja captado e faça o conhecido puf puf. A distância do microfone é aquela posição exata, nem muito perto, nem muito longe (+ ou 20 cm).
3. FORMAS DE MENSAGEM:
SPOT: Texto ou diálogo a uma ou mais vozes, ilustrado ou enriquecido por efeitos musicais e sonoros.
JINGLE: Harmonia de música e letra, formando mensagem comercial semelhante a uma pequena canção.
TEXTO: Mensagem comercial lida por uma só voz.
TEXTO-FOGUETE: Texto curto, incisivo, medido por segundos ou pelo número de palavras.
VINHETA: Característica sonora vocal e ou instrumental.
MENSAGENS:
Dialogada: duas ou mais vozes apresentam as vantagens, razões de compra ou apelos de venda de um produto ou serviço.
Dramatizada: igual à anterior, porém as vozes encarnam personagens de uma história ou fantasia.
Improvisada: sem texto pré-fixado, é dita pelo apresentador durante o programa.
4. TRATO COM O OUVINTE
O trato com o ouvinte é também de suma importância para o sucesso do programa de rádio. Por essa razão, o locutor deve no início do programa já informar o ouvinte do que se trata ( este é o programa Ouve Israel, da rádio Nova AM, e o nosso objetivo é ...... Ligue pra nós no telefone ...., faça seu pedido ......).
No tratamento com o ouvinte, uma pessoa que tem um papel muito importante é aquela que atende o telefone, pois é esta a primeira impressão que o ouvinte vai ter, se ele for bem atendido no telefone com certeza ligará outras vezes. Além disso, quando o ouvinte vai falar no ar com o locutor é o telefonista quem deve conversar primeiro com a pessoa que ligou, explicando que vai ser rapidinho, que ela só tem 3 minutos, por isso ela deverá resumir, isto é simplificar o que ela deseja falar ou contar, no caso de algum testemunho.
O (a) telefonista também deve informar o nome do locutor, da rádio, do programa e o mais importante tranqüilizar o ouvinte, para que quando ele for ao ar já esteja familiarizado com o programa. O importante é dar ao ouvinte um atendimento VIP, enchendo a bola dele, valorizando-o, falando o nome dele e bairro onde mora várias vezes no ar.
5. DIRETRIZES DE REDAÇÃO:
- ESCOLHA DAS PALAVRAS: além do significado, pelo valor como som.
- LIMITAR O NÚMERO DE IDÉIAS: mensagem mais clara e concisa.
- TEXTO COM RITMO E CADÊNCIA: frases curtas, parágrafos +/- iguais.
- EVITAR FRASES FEITAS: lugares comuns não causam efeito.
- ARGUMENTOS ESPECÍFICOS: selecionar com rigor, eliminando o supérfluo.
- EVITAR TERMOS TÉCNICOS: deixe isso para a mídia impressa
- SELECIONAR MOTIVOS MAIS FORTES: o ouvinte precisa sonhar.
- NOME DO PRODUTO O QUANTO ANTES: a mensagem deve ser vendedora.
- ESTILO DIRETO: falar aqui e agora para um só ouvinte.
- VELOCIDADE NORMAL DE LEITURA: média de 100 palavras/minuto.
RECOMENDAÇÕES:
Inspirar confiança: o apelo deve ser sincero e honesto
Basear-se em fatos: coletar o máximo de informações
Usar um tom amistoso: Rádio é comunicação entre amigos
Respeitar o veículo: evite reaproveitar textos e trilhas
6. A NOTÍCIA NO RÁDIO
Teoricamente temos um fato que implica um gênero de ação. A partir daí, uma informação de onde se relata essa ação em termos compreensíveis. E por fim, um público ao qual se dirige essas informações através dos meios de comunicação. Assim teríamos a definição do que é Notícia. A Notícia para ser eficaz deve responder as seguintes perguntas:
O QUE?
QUEM?
QUANDO?
ONDE?
PARA QUE?
Notícia com Entrevista: seu objetivo é fornecer os dados do fato e esclarecer a importância do acontecimento, através de perguntas breves e respostas curtas a entrevista deve ser curta com uma única finalidade, explicar o porquê dos acontecimentos. Lembramos que a notícia com entrevista desperta o interesse do ouvinte em relação ao acontecimento.
Difusão da Informação
Flash: Acontecimento importante que deve ser divulgado imediatamente, em função de sua oportunidade.
Edição Extraordinária: Neste caso a notícia é apresentada com mais detalhes, sendo mais longa que o flash. Podendo ter vinhetas padrão de abertura e encerramento.
Especial: Programa que analisa um determinado assunto, seja por sua grande importância e atualidade, seja por seu interesse histórico.
Boletim: Noticiário apresentado com horário e duração determinados.
. Jornal : É o jornal falado , com informações mais detalhadas dos fatos e reportagens.
A Espiritualidade da comunicação se alimenta da palavra e da Eucaristia
e se torna Pão repartido, alimentando outras pessoas.
Fonte: Ministério de Comunicação Social - RCC Brasil