Ministério de Pregação
<<voltar
Curso de Pregação / Parte 8
 

 


Ralf Berndt
Ex-Coord. Estadual do Ministério da Pregação em Santa Catarina.
________

A CLASSIFICAÇÃO DA MENSAGEM

Quando eu rezava hoje por esta pregação, Deus me mostrou muito claro qual é o tempo Dele hoje para o ministério e que hoje fosse dito aqui para a gente se apossar da graça, porque a graça está sendo derramada e se a gente não abrir o coração e não ter assim uma idéia do que é a graça corremos o risco de deixá-la escorregar pelas nossas mãos. E Deus me dizia que este curso gira em torno de dois pilares basicamente. Primeiro, a pessoa do pregador e segundo, a mensagem e a pregação. Vamos já aprofundar os dois temas. Mas este curso foi querido por Deus, pensado por Deus, desejado por Deus, para nós aprofundarmos estes dois temas. E se a gente for ver como é que estão se dando as formações, nós vamos perceber como Deus está sendo fiel nesse tempo e nessa condução. Primeira coisa: Deus está chamando os pregadores. Segunda coisa: Deus está nos ensinando a mensagem. O primeiro pilar deste curso e deste tem-po de Deus é o pregador. A primeira coisa, se vocês lembram do que foi o nosso retiro, qual era aquela passagem que Deus nos dava de Isaías. Deus dizia: “Vocês são cepas escolhidas, vocês são profundamente amados por Deus”. Quem é que Deus estava chamando? Era o pregador. Deus nos estava dando a graça de reconhecermos que somos eleitos, a graça de reconhecermos que nós somos vocacionados e que isso quem faz é Deus.

Esse primeiro pilar é pura iniciativa de Deus. Eu vou ver se eu consigo me explicar melhor para poder passar o que Deus me diz. O primeiro pilar desse tempo e do curso é pura iniciativa de Deus. É Deus quem chama o pregador, é Deus quem dá a unção, é Deus quem dá o chamado. A iniciativa é pura e exclusiva de Deus. Deu para entender? E aí nós vimos na 1ª pregação, quando falamos o que é o chamado, o que é a eleição, o que Deus já tinha falado no nosso retiro. Somos cepas escolhidas, somos amados por Deus. E nessa dimensão desse primeiro pilar, Deus nos dá ainda dois pontos. Primeiro, é Isaías 5 e o segundo é Romanos 10, 10-15. Em Romanos São Paulo nos fala: “É crendo de coração que se obtém a justiça e é professando com palavras que se obtém a salvação. A escritura diz: Todo o que nele crer não será confundido (Is 28,16). Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm um mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam, porque todo aquele que invocar o nome do senhor será salvo(Jl 3,5). Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados, como está escrito: Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas (Is 52,7).” Então a primeira dimensão que o ministério está vivendo e que Deus está nos formando é essa dimensão da pessoa do pregador, da eleição que Deus fez, revelada lá em “Isaías 5” e dessa de “Romanos 10”, que Deus nos envia. Deus forma o pregador, Deus chama o pregador, Deus dá a graça, Deus dá a unção. Nessa primeira dimensão a iniciativa é só de Deus. É Deus quem faz, é Deus quem dá a unção, é Deus quem chama, é Deus quem escolhe, a eleição parte de Deus.

Deu para entender que essa primeira dimensão que se divide em duas? Primeiro “Isaías 5”, a dimensão da escolha, e depois em Romanos, a dimensão do envio. “Como crerão se não tem quem pregue?” É isto que Deus nos fala hoje como ministério. E a segunda dimensão, o segundo pilar é a mensagem, a pregação. E nesse pilar, também Deus faz. Mas nesse pilar da mensagem, de montar a pregação, de nos deixar formar por Deus, aí entra a nossa parte. Na primeira parte a iniciativa é pura e exclusiva de Deus. Na segunda parte, entra a nossa contribuição, de nos deixar formar, de aprender como é que se organiza uma pregação, de saber quais são as fontes da pregação, os caminhos, as vias, aí entra a nossa contribuição.

Então são dois pilares. Deus sozinho no primeiro pilar, e no segundo Deus e nós respondendo ao amor de Deus. E se a gente for ver como é que está sendo o caminhar deste curso, nós vamos perceber como tem uma seqüência lógica. As pregações estão sendo mais livres. O pregador fala aquilo que Deus inspira passando a sua experiência. Mas se nós formos ver as outras pregações, por exemplo, a pregação sobre as vias, os caminhos que Deus dá. A via cosmológica, a via antropológica, a via de revelação, a via do magistério da Igreja. E se a gente for ver o que é uma via? É um caminho, é uma inspiração que Deus nos dá de como eu devo pregar. E se a gente olhar a pregação de Jesus, Ele usava a via cosmológica o tempo todo. A vinha, o homem que foi trabalhar nela. Então Jesus usava a via cosmológica o tempo todo e a via antropológica também. Falava sobre o homem que devia a outro, uma festa de casamento. E nós pregadores precisamos aprender que se Jesus pregava desta forma nós devemos pregar por esta via. A pregação foi sobre “Onde buscar a mensagem bíblica”. Vamos ver como tem uma lógica. Primeiro Deus vai me dizer qual é a via, qual é o caminho que eu devo pegar, que eu devo me inspirar, se num evento da natureza, num fato social. Por exemplo, vocês acompanharam na televisão aquele caso em São Paulo em que a moça e o namorado mataram os pais dela. Já imaginou? A gente pode partir desse fato social para pregar o que é o amor verdadeiro. Então tudo isso são caminhos, são ferramentas que o Senhor em sua bondade nos dá.

Deus já nos deu a fonte: a Bíblia. Deus já nos deu uma parábola, Deus já nos deu uma pessoa, Deus já nos deu um lugar, Deus já nos deu uma oração pra gente pegar tendo como fonte aquela passagem. E aí como é que eu vou enriquecer esta mensagem? O autor do livro nos dá vários caminhos. A primeira coisa, por exemplo, eu pego uma passagem bíblica e eu posso aprofundar aquela passagem, procurando conhecer o significado das palavras. E aprofundando, Deus vai me dando revelações e mais revelações e a partir do significado das palavras eu vou enriquecendo a pregação.

Porque a meu ver na verdade a pregação é uma oração que transborda. E nesses caminhos que Deus nos mostra, Ele nos dá também muita riqueza espiritual para nossa oração. Então se a gente puder se esforçar para procurar o que significam as palavras, o sentido semântico, sentido no hebraico, o que significa por exemplo “a tarde daquele dia para os judeus”, que é começar de novo, que é o início da criação também. A outra via que nos é dada é a via de antônimos. O antônimo é saber o contrário da palavra. Os antônimos vão nos levando a tomar uma posição. Ou eu fico de um lado ou eu fico de outro. Jesus também usou muito a técnica dos antônimos. A outra técnica é a de fazer perguntas. Para uma pregação querigmática, essa maneira é funda-mental, porque mesmo que a pessoa não responda com suas palavras, ela dá uma resposta interior. Para uma pregação catequética ela não funciona muito, mas para o querígma ela é indispensável. A gente vai fazendo perguntas, envolvendo as pessoas e levando-as a dar uma resposta, a se questionarem.

Outra via é entrar no contexto da passagem que Deus nos dá, levar as pessoas a entrarem na cena. O contexto vai nos fazendo entrar na história, porque a bíblia não é uma coisa isolada. Se eu pegar ás vezes um ponto, sem observar o que vem antes e o que vem depois, eu corro o risco de perder as grandes riquezas que aquele trecho, aquela passagem tem e que eu posso aprofun-dar na minha mensagem.

Outra técnica que nós podemos utilizar para aprofundar a mensagem é a visualização. Outra via é a dramatização, porque a imagem comunica muito mais que a palavra. Tem coisas que eu não sei dizer com palavras, mas que uma imagem fixa. A imagem fixa muito mais na nossa memória do que as palavras.

No tema de hoje nós vamos ver como escolher a mensagem mais apropriada para cada ocasião. O autor nos dá várias dicas de como é que nós vamos escolher a melhor mensagem para cada grupo. Por exemplo, se você é chamado a pregar para um grupo de iniciantes, que está se preparando para fazer um Seminário de Vida no Espírito Santo. Qual seria a maneira de pregar mais apropriada para esse grupo? Ele nos dá uma dica. É a mensagem do chamamento à vida para Deus, dizer como é bom estar em Deus, como é agradável, como Deus é maravilhoso. Porque nós vamos pregar para aquelas pessoas que ainda não tiveram uma experiência com Deus e se a gente chegar lá fazendo uma exortação, todo mundo vai embora e nunca mais volta. O que a gente vai fazer? Fazer um chamamento à vida com Deus, dizer o quanto Deus é pai, o quanto Deus é bom, o quanto Deus é providência na nossa vida. Esta seria uma mensagem mais apropriada. Logicamente que o Espírito Santo é livre para fazer o que bem quer conosco. Mas ele só dá essas sugestões para que quando o Espírito Santo nos for falar, a gente já tenha a ferra-menta a utilizar.

Outra mensagem: por exemplo, qual seria a maneira mais apropriada para evangelizar de casa em casa, para pessoas que às vezes nos recebem por indicação, não têm nenhuma disposição para ouvir, qual seria a dinâmica do Espírito Santo? Nestas situações devemos anunciar Jesus, a pessoa de Jesus, o poder de Jesus, a salvação de Jesus, que Jesus é muito maior do que todas as suas dificuldades. Nunca fazer uma mensagem doutrinária. Outra dica é quando nós formos chamados a pregar num grupo que já teve uma experiência com o amor de Deus, mas está precisando dar uma resposta a este amor. Qual seria o tipo de mensagem mais apropriada para se levar a este grupo? E aí o autor nos diz que a mais apropriada é a mensagem da conversão. Que a resposta ao amor de Deus se chama conversão. Se você for chamado para um grupo que está desmotivado ao serviço, qual seria a mensagem mais apropriada? Nós vamos fazer uma pregação sobre o valor do serviço, do chamamento, de levar as pessoas a responderem de uma forma concreta ao amor de Deus e à graça de Deus.

Mas existem também outras formas da gente anunciar a mensagem. De repente o coordenador lhe chama e diz que no grupo estão havendo muitas dúvidas sobre a ressurreição dos mortos, sobre os anjos. Aí é um tipo de pregação que se chama apologética. Qual é este tipo de mensa-gem? É uma pregação em que nós vamos aprofundar a doutrina da Igreja. É uma mensagem doutrinária, catequética. Outro tipo de mensagem ele nos dá. Qual o tipo de mensagem mais apropriada para uma pregação sobre vida de oração? É a espiritualidade. Porque a vida de oração é a vida de intimidade com Deus. Nós vamos muito mais transbordar a nossa experiência, a nossa espiritualidade, enriquecida com tudo o que a gente já conhece, com tudo o que a gente já leu.

Quando eu rezava Deus me dizia que todas estas mensagens, toda esta formação, a gente não precisa se preocupar em ter uma técnica, porque de fato o mais importante é o Espírito Santo, mas se eu dou ao Espírito Santo as ferramentas, vai ficar muito mais fácil, porque nós vamos oferecer a Ele aquilo que já temos. É como eu disse sobre o segundo pilar, que é a pequena contribuição que nós damos ao nosso ministério. É a contribuição de termos o coração aberto e essa bagagem, essas ferramentas para colocarmos à disposição do Espírito Santo.

Tem ainda uma classificação da mensagem que é a mensagem catequética. Por exemplo se nós formos chamados a pregar para uma formação de crisma, nós vamos dar uma mensagem de catequese mesmo. Para uma formação de noivos, nós vamos dizer o que é o matrimônio, a importância do sacramento. Para pessoas que vão ser padrinhos, nós vamos dizer o que é o batismo e a sua importância. E a última forma é uma mensagem que é chamada de impacto. É aquela pregação que quando a gente escuta parece que o coração vai explodir. E a mensagem de fortalecimento tem muito a ver também com impacto. Por exemplo, o grupo está fraco na fé, precisando de uma injeção de ânimo, a gente leva também esta mensagem de fortalecimento.

Na verdade esses são instrumentos que Deus dá, mas a pregação é aquilo que nós somos, então a gente não precisa se preocupar muito. A pregação é um transbordamento daquilo que eu sou, daquilo que eu vivo, daquilo que Deus faz na minha vida. Eu posso pregar sobre qualquer assunto, mas eu sempre transbordo aquilo que eu vivo. Por exemplo, se a gente fosse pregar sobre obediência, sem ter obediência, será que essa pregação tem alguma unção? Nenhuma. Eu posso saber todas as técnicas, eu posso ter decorado o livro, posso ter preparado a pregação, mas se ela não é um transbordamento da minha vida, ela pode ser uma belíssima peça de oratória, mas não tem unção nenhuma, não tem força, não tem impacto e os frutos acontecem porque Deus sempre faz, mas poderiam ser bem melhores quando é um transbordamento daquilo que vivemos.



 
   
 

 

© 2008 -Renovação Carismática Católica - Pernambuco - Associação Nossa Senhora de Fátima - Todos os direitos reservados
te;tica Católica - Pernambuco - Associação Nossa Senhora de Fátima - Todos os direitos reservados