Ministério de Pregação
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A Humildade do Ramo da Videira
 

 


Dercides Pires da Silva
Ex-coordenador Nacional do Ministério de Pregação
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Irmãos pregadores, Deus os abençoe. Essa é a primeira palavra que gostaria de dirigir a todos vocês que compõem o ministério de pregação. A segunda é de agradecimento, esperança e hu-mildade.

Agradecimento pelo que todos têm feito em prol do anúncio da Boa Nova em todo o Brasil. Desde os maiores centros urbanos até as menores cidades e vilarejos que bordam de cores vivas o imenso território brasileiro. Agradecimento também pelo empenho de todos no sentido de buscar, cada dia mais, uma formação que combine uma boa técnica com uma perfeita docilidade ao Espí-rito Santo, a fim de conseguir uma metodologia condizente com a pregação cristã.

A esperança é a virtude das pessoas que enxergam o futuro com os olhos de Deus. Estas pessoas não são vencidas pelas perseguições, pelo cansaço, pela rotina, pelo medo, nem por outra dificuldade qualquer. Seu hino preferido é aquele que o Espírito do Senhor fez o Apóstolo entoar há quase dois mil anos: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principa-dos, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8,35-39)".

Meu coração se enche de esperança quando vejo jovens pregadores buscando seriamente a formação. Mas ele realmente transborda de borbulhante alegria expectante quando conto entre os jovens pregadores inúmeros veteranos, que se fossem pesados pela balança do mundo deve-riam se sentir mestres. Porém, ao invés de se sentirem prontos e acabados, sentem-se humildes aprendizes em busca de aperfeiçoamento constante. Olho para eles, jovens e veteranos, juntos na mesma sala de formação, um crescendo com o outro, e penso: realmente, existe uma espe-rança.

Agora a humildade. Ah!... A velha, boa, necessária e difícil humildade! Como precisamos dela!!! E como ela parece querer fugir de nós pregadores! Precisamos dela para reconhecer com o velho e sábio Eclesiastes: "Vaidade das vaidades, (...), vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. (Ecl 1,2)." De que vale conquistar espaços, honrarias, fama, dinheiro? Tudo é vaidade, poeira diante da marcha inexorável do tempo. Nada mais que vaidade. Alegremo-nos pelos nossos nomes estarem "escritos nos céus (Lc 10,20)”. Se temos algum direito a recompensa, que seja esta: "os céus". Afinal, se ouvirmos bem, escutaremos: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força (2Cor 12,9)".

Precisamos da humildade para nos debruçar sobre as mesas de estudo a fim de esquadrinharmos os livros espirituais e a Sagrada Escritura. Ela também será a companheira inseparável daqueles que se apresentam nos encontros de formação. É igualmente ela que nos incentiva a nos ajoelharmos meia hora, uma hora, duas horas ou mais, diariamente, em oração pessoal, aos pés do Mestre, Senhor, Messias e nosso Deus. Sim, irmãos, sem humildade, até mesmo a fé e o amor, dons magníficos para quem deseja adorar o Pai, o Filho e o Espírito Santo, pouco nos ajudarão na prática da regra de vida mais elementar para os pregadores, que é a oração pessoal diária. Aliás, sem humildade o amor fica inseguro e a fé incerta.

Se para todos os cristãos a humildade é uma regra de vida, para os cristãos pregadores ela é, além disso, uma exigência que se impõe pela própria natureza do nosso ministério. A humildade do pregador deve ser qualificada. Deve ser sempre buscada e jamais pode ser tida por conquis-tada, sob pena de esvair-se mais depressa do que pensamentos pueris. Seu modelo é o da videira. Melhor: do ramo da videira. O ramo da videira sabe que por melhor que sejam seus frutos será sempre podado. Por isso sempre está preparado para a poda. Mesmo assim não deixa de produzir o melhor que pode, apesar da poda iminente. Sua missão é produzir o melhor. Ele sabe que só terá uma chance para produzir um bom fruto, e o faz da melhor forma possível. Em seguida vem a poda.

Gosto de pensar na humildade do pregador como uma espécie de "espiritualidade" reserva. O bom pregador é aquele que jamais aspira a ser o "bom", a ser o artilheiro do time, a ser o dono da posição. Sua missão é estar continuamente à disposição da equipe. Se for acionado, assumirá a posição e fará o melhor que puder, sem ambição de vir a ser o titular. Com tal "espiritualidade" não sofreríamos ante os reveses da "carreira" de pregador.

Como se vê, irmãos, a humildade deve fazer parte do patrimônio pessoal de todo pregador e como tal deve ser buscada por nós. Oremos, portanto, pedindo a Jesus que, "sendo exteriormen-te reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fl 2,8)," nos cumule de toda humildade que nos é necessária para servimos no ministério da pregação.

Até breve. Muito obrigado. Deus os abençoe


 
   
 

 

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